quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O menino da praia

Jazia no chão um lindo menino
Que parecia estar dormindo de bruços
Meigo e singelo sobre a areia da praia
Onde as águas beijavam o seu corpinho imóvel

Era tão linda a beleza daquele menino
Que a morte por um instante também foi bela
E se sentiu orgulhosa por ser a vilã de um quadro tão comovente

A ternura da criança venceu o horror da morte
Naquelas areias havia um sinal de Deus
O sinal de que os inocentes herdam o paraíso
Morrem serenos e entram na morada divina

Os corações que se compadecem da cena
Se aliviam quando percebem que a alma descansa
E que ela precisa ser como a daquele menino
Pra viver na paz da eternidade junto dos anjos

Maciel Santos

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Perdidos por quê?

Por que sofremos?
Por que choramos?

Afogados no mar da desilusão,
Asfixiados pelas coisas fúteis e insignificantes,
Perdidos num labirinto criado por nós mesmos.

Somos tão fortes, mas nos enganamos facilmente.
Somos ludibriados por nossa própria vaidade,
Feridos por nosso próprio egoísmo.
Ferimo-nos, ferimos.

Tentamos nos encontrar no infinito de um mundo limitado;
Procuramos onde não é possível encontrar;
Perdemos o que nem temos.
O que é bom está tão perto, mas parece-nos invisível,
Uma invisibilidade que é tão clara como a luz do sol.

Por que ainda estamos perdidos diante de tanta luz?


Maciel Santos
A grandeza do pequeno

Eu tão pequeno,
Tão insignificante,
Tão imperfeito,
Cheio de incertezas.

Ele tão grande,
Tão majestoso e soberano,
Tão perfeito,
Certo de seus planos.

Também traço meu plano,
Mas não cumpro o meu dever,
Que é tão simples,
Mas tão difícil.

Ele tem tantos para amar
E ama cada um com tanta intensidade,
Me ama tanto.
Preciso amar assim também.
Se tivesse ao menos uma migalha desse amor,
Já teria então um amor gigantesco.

Ele se faz tão pequeno para amar assim tão fortemente,
É por isso que se torna tão grande.
Sendo pequeno, devo seguir o exemplo e crescer.
Mas jamais serei grande,
Não quero ser grande
A grandeza está nos pequenos.
Sou um pequeno buscando a grandeza.


Maciel Santos

terça-feira, 11 de março de 2014

Mulher

No céu a mais bela estrela
No jardim a mais bela flor
Brilha cintilante sua beleza
Exala suave perfume o seu amor

Do poeta a inspiração
Do homem a razão dele existir
Musa que incendeia o coração
E faz até a tristeza sorrir

És a mais perfeita criação
O maior presente de Deus
És a mais linda canção
Que alegra os dias meus

Maciel  Santos

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Momento de Paz

Aqui estou sentado na varanda
Olhando a lua branca e mansa
Pensando no lindo sorriso de uma criança
Ternura que me alimenta a esperança

Fico assim sereno e tranquilo
Não me perturba o grulhar do grilo
Nem as artimanhas de um esquilo
Nem isso nem aquilo

Esqueço nesse instante as dores do mundo
A miséria de tantos vagabundos
Os tristes, solitários e moribundos
De paz meu coração se torna fecundo

Minha mente mergulha no clarão da lua
Se esvazia de toda realidade nua e crua
Momento em que a alma leve flutua
Faço agora da minha vida a sua 

Maciel Santos

sábado, 21 de setembro de 2013

Persistindo no ato de amar

Sem ter aonde ir,
Sem saber aonde chegar,
Enfrentando as barreiras,
Pensando em uma maneira
De estar sempre a sorrir,
Persistindo no ato de amar.

Sem ter alguém por perto,
Sem saber como encontrar,
Tentando vencer a solidão,
Buscando companhia pro coração,
Assim me desperto,
Persistindo no ato de amar.

Sem ter a força que é preciso,
Sem saber como explicar,
Sonhando com o fim do sofrimento,
Imaginando como arrancar de dentro
Toda a angústia que eu sinto,
Persistindo no ato de amar.

Mesmo sem direção,
Na indefinição,
Às vezes na escuridão,
Afogado na desilusão,
Vou seguindo meu caminho,
Ainda que triste e sozinho,
Não pararei pra descansar,
Continuarei sem cessar,
Persistindo no ato de amar.


Maciel santos

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Excelentíssimo Soneto

Um soneto eu fiz para nossos deputados
Parabenizando-os pelas espertezas e regalias
Pelo alto salário que ganham e outras estripulias
Saudemos os sangue-sugas engravatados

Defendem o que é deles desesperados
Por isso falam bonito com grande animação
Enchem a boca para enganar a nação
O voto de um cidadão é pra eles sagrado 

Trabalham sem cessar pelo Brasil
"Melhorando" as leis da constituição
Gente assim nunca existiu

Que isso, onde já se viu
Dizer que político é ladrão?
Não tem mais verba porque sumiu

Maciel Santos



sexta-feira, 14 de junho de 2013

Agonia de um poema

O poema extravasa a angústia
Deixa derramar a dor que a alma grita
As palavras vão expulsando a ânsia contida
Esvaziando por um tempo o coração carregado de fome
Fome de justiça, de vida sem sofrimento

No poema o herói não luta bravamente
Só elimina sua cólera nas letras inocentes
Letras que carregam o golpe que o inimigo deveria receber

O poema é a arma que não machuca
Se fere, não causa dor aguda
Nem resolve a situação humilhante dos que defende

Só acumula as tristezas da alma que agoniza

Maciel Santos
Insano espírito angustiante

Uma euforia angustiante se apossa de mim,
Tenho ímpetos de sair gritando as loucuras do mundo.
Minha alma estremece de ansiedade,
Inconformismo e coragem se misturam;
O peito parece que vai explodir de rebeldia.

O desejo de transformação grita com insanidade.
Quero fazer algo pra mudar a situação,
Quero mergulhar nesse mar de injustiça
E resgatar os oprimidos iludidos,
Mostrar-lhes o caminho,
Fazê-los enxergar sua desgraça

Mas o mais desgraçado sou eu,
Choro quando devia cantar.
Seria melhor viver na ilusão,
Alienado em um mundo de fantasias?

Oh! Quanta dor dilacerante ferindo o coração.
Como lutar, como reagir às agulhas de verdade maldita?

Minha alma se debate nesse corpo miserável.
Insano espírito que clama por justiça e paz entre os homens.

Maciel Santos

sábado, 5 de janeiro de 2013


Escravos

Somos escravos
Escravos de um mundo doente
Subordinados às leis
À hierarquia

Temos o poder de escravizar
E ao escravizar somos escravizados

Os poderosos são escravizados pelo seu próprio poder
Que quando tirados deles
É como uma espada decepando seus membros
Os poderosos, senhores da lei
Quando questionados
São como abelhas irritadas
Prontas para ferroar
Aqueles que ousam desafiar sua autoridade
Eles mandam no dinheiro
Mas é o dinheiro que dita as regras
Acorrentando-os nos grilhões do individualismo
São animais predadores
Dominados pela ânsia de devorar
E já devorados por essa mesma ânsia

Os miseráveis são escravos em duas dimensões
Subordinados aos poderosos e a própria vida
Vivendo à beira do abismo que os separam dos seus senhores
São escravos dos escravos
Duas vezes escravos
Uma vida humilhante e sem perspectiva
Quando terão sua carta de alforria?
Se têm escrúpulos
São pelo menos livres de sua consciência
Que não pode escravizá-los
Porque não escravizam ninguém

Maciel Santos